sábado, 19 de outubro de 2013

Nefandus

Com os olhos arregalados olhei ao meu redor
Percebi que a realidade era uma ilusão
E sob essa ilusão
Rondava uma fera terrível
Uma inteligência não humana
Que não veio deste mundo
Mas do mundo real
O mundo das aparências era como a superfície do mar e ali havia um tubarão

Senti enquanto ela se aproximava e me engolia
Seus dentes afiados retalharam minha alma
Descobri o que era a dor
e o medo.

Subitamente
Perdi toda noção de escala
O abismo se abriu pra mim
percebi-me uma pequena molécula de carbono e hidrogênio
poeira cósmica
contemplando o início
ou o fim.

A onda de energia cósmica explodindo em todas as direções
Era tão magnífica e absoluta
Que chamá-la de gigante seria resumi-la ao ridículo.
Ela varreu o abismo
E criou o cosmos

Relicário imenso de joias flutuando no vácuo.

Minha consciência percorreu nebulosas e estrelas
Vastidões infinitas

E percebi

Não há sentido por trás disso tudo
E tudo
Se deteriora à partir do momento da criação.
Surgimos do caos e seremos reduzidos ao caos
o caos dançará sobre nossos cadáveres
a morte ri de nossas ambições.

Somente o fim é uma constante
E nada tem uma essência
Que não seja a entropia e o caos.

Percebi que aquele que me predou
Libertou-me da ilusão de ordem e bondade
A desolação foi substituída por um profundo desejo

De abraçar o fim do universo
Como única fonte de paz. 





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