sábado, 9 de novembro de 2019

Cético

Te amo tanto
Que tô lendo seu horóscopo

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Eu te amo
Desculpa
Mas eu te amo
E a minha língua corre
Pra querer falar
Eu te amo
E eu simplesmente
Não sei parar de te amar
Passaram se anos
Passaram-se enganos
E eu
Fui o único a guardar
Essas palavras que quero te falar
Eu te amo
Você é o sopro
Que acalenta meu coração
Minhas memórias saotoda lenha
Que preciso pro fogo dessa paixão
Que queima e queima
E só me consome
E não duvida
É um sentimento bom
Eu me afogo em minhas memórias
Tudo me lembra você
E se se passaram anos
Eu não quero nem saber
Se nós machucamos eu não lembro
Eu só quero você
E no seu leite doce
Na sua pele macia
Nos seus cabelos e no seu perfume
Eu me afogo todos os dias
E na memória do afago eu me encontro
Preso no passado
E eu suspiro
Sem poder te dizer
Mas eu te amo
E teimo em ser
Naquele doce passado
Algo consumado
Que ainda me consome
E eu não me sinto penado
Mas lisonjeado
Tu dois minha
E eu sempre serei seu
Eu te amo
Amor meu
Minha menina
Minha sina
Eu sou viciado
Na memória da sua carne
Do seu cafuné
E no seu beijinho de bom dia
Pois tu fostes minha
E eu ainda
Sou todinho seu
Minha linda
Meu carinho
Meu coração é seu todinho
Eu sei que não lhe parece bom
E me calo já que você não quer
Mas foste minha mulher
E eu
Sou um homem
Todinho seu

Eu te amo
Vou dizer mil vezes
Todos os dias
E todos os anos
Não adiante me pedir
Pra superar
Pode continuar
Te desejo toda felicidade do mundo
E esse meu coração imundo
É todinho seu
Eu não falo
Não incomodo
Não procuro
Só fico quietinho
Encolhido no escurinho
Pensando em você
meu amor
Minha vida
Minha fêmea
Minha mulher
Eu confundo
Minha alma com a sua
Pois já fostes minha
E eu
Ainda sou seu


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Um poema pro Silêncio

De todas as jornadas que já fiz
A mais difícil é em direção ao silêncio

Calar o coração turbulento

Saber que só a você importam suas dores
Cuidar de quem se ama
Dando-lhes a sua ausência
Poupando-lhes de você

O amor fala sem palavras
A presença constante se sente na distância
Como que emanando
Esses sentimentos todos
Que viram fumaça
E sobem devagarinho
Deslizando pro céu

Pra quem sabe um dia

serem suspirados
Por outros casais apaixonadosque estão feliz em não saber
Da minha melancólica existência

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A joia do país da memória

Eu que preciso de tanta coisa
Só preciso de minha memória
Eu vivo no país do passado
E sou melancolicamente feliz

Eu não posso correr
Porque sei andar
Eu não posso parar
Porque sei andar

E eu ando rumo a praia
Quando o céu azul
Era menos azul do que sou agora
E você segurava minha mão, e ríamos
E você me deitava e deitava em cima de mim

Eu que tenho pouca coisa
Tenho tudo que preciso
Que é minha memória

Nasci desnudo
E a dor do parto
Me fez merecer
De volta
O amor que eu já dei

E orgulhoso que sou
Ainda espero ansioso
O amor desesperado
Que já dei
E não me foi dado

Porque o amor não sabe esperar
O amor não segura nada além de si mesmo
O amor é exigente
E só pode amar
Quem prefere sofrer

Eu que já sei amar
Não faço senão esperar
Que me seja dado
Um amor como eu já dei

Eu que não mereço nada
Um dia vou merecer apenas isso

Por enquanto eu ando
Num país chamado memória
E a nossa memória
É a minha única jóia e é a mais valiosa


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Não existe amor no mundo
Que tristeza
Que tristeza
Eu meneava a cabeça e dizia a mim mesmo
Não existe amor no mundo
Que angústia
Que tristeza

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Ode à Morte

O capim vencerá o camponês
A poeira vencerá a faxineira
A morte vencerá os médicos
A violência sempre vai ser resultado, de todos os tratados de paz.
Toda extinção é um alívio
E toda vida, uma anomalia.

Eu sou a porta fechada que nunca poderá ser aberta.

Quem me vê passando assim
Maltrapilho e descuidado 
Pode até não saber 
Mas eu estou escrevendo um livro 

As entrelinhas são os meus dias 
Contados sem pressa 
E o protagonista 
Sou eu 

Essa história não pretende ser interessante pra ninguém 
Mas ela é a história que eu quero viver 

Eu não quero ser 
Mais um fortinho de barba, posando de alternativo 
Eu quero, buscar o meu caminho 
No Fora 

Eu não quero mostrar, nem esconder 
As vezes só tenho preguiça de contar 
Porque agora sou poeta e filósofo de mim mesmo 
Compartilho algo com aqueles homens práticos e rudes do passado 
E também compartilho algo,
com os mais sofisticados, que precisavam de coleções inteiras de livros, pra explicar sua visão sobre o mundo e a vida 

Eu me tornei aquele, de barba largada, andando com botas gastas, jeans rasgado pelo tempo - e não na boutique - que percorre portos, cais, florestas e montanhas. Eu não leio sobre as andanças desse personagem assombrado pelo passado. Porque assim, talvez não por acaso, eu me tornei meu personagem preferido. 

Eu sempre gostei dos solitários e eu sempre gostei da solidão. O silêncio me comunica muita coisa. É como o silêncio da pedra que já habitou um palácio, de uma civilização extinta. Ela diz muita coisa, para aqueles olhos treinados, que sabem aonde procurar e ler e ouvir. 

Os Deuses antidiluvianos que ameaçam acordar e destruir o mundo, são os meus próprios demônios. Eu conheço todos os ritos da destruição e da morte, além de pelo menos mil maldições. Eu sou o mago.  Sou o próprio fauno. A música é minha magia e a minha poesia. Eu sou o segredo que não quer ser revelado. 

E um dia no futuro, quando meu destino - que mistério - finalmente for consumado. Talvez eu sente para contar, a história que estou escrevendo com a minha vida.