Mar pare de me chamar
Vento pare de sussurar que devo ir
Sol não esquenta, já vou sair
Areia, sai da minha meia!
Não quero lembrar
de vento mar sol areia
quando tenho pela frente
a semana inteira.
sexta-feira, 21 de março de 2014
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Viadinhos nas montanhas
Tú
veras o que o destino nos reserva minha doce jovem,
O sol se projeta
sobre as montanhas nevadas derretendo o gelo com sua luz doirada.
Os
cervos já vasculham o bosque, brincando entre as águas frescas que se
avolumam.
Nosso amor será como estes cervos, brincaremos inocentemente à
luz do verão!
terça-feira, 5 de novembro de 2013
“Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente,
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os.
Nada ditam
A quem me sei; eu escrevo.”
Fernando Pessoa.
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente,
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os.
Nada ditam
A quem me sei; eu escrevo.”
Fernando Pessoa.
NADA
Nada em mim se enche
Permaneço inflado
Rubro horror de mim mesmo
Jogado contra a cara do mundo
Não me serve um anjo torto
Quanto mais olho para uma pessoa,
mais vejo seus defeitos
Você não serve pra mim
Assim como ninguém.
Deixe-me sorver teu mel
Para depois descarta-la
Tal como favo imprestável
Tu só serás o que for de bom pra mim
De resto, nada.
Meus pés cansados
Brigam e se empurram
Espalhado eu vou
De encontro ao chão
Só para sentir o gosto de terra
De longe me observas
Com teu rosto de mármore
Sem virar a face, seus olhos me seguem.
Com reprovação mede cada movimento
Estou só
Estou perdido
Estou sujo de lama até o pescoço
Estou com olhos embotados de lágrimas
Quero saber o que quero
Nesse mais um ano
Só quero viver mais um ano
Como um animal que luta pra continuar respirando e trepando.
Só quero viver mais um ano
Como um animal que luta pra continuar respirando e trepando.
(escrito na data de meu aniversário, em 2013)
Waking life
O homem autodestrutivo sente-se
totalmente alienado e solitário.
Ele é um excluído da comunidade.
Ele diz para si mesmo:
“Eu devo estar louco” .
O que ele não percebe é que a
sociedade, assim como ele próprio…
tem um interesse em perdas
consideráveis, em catástrofes.
Guerras, fome, enchentes
atendem a necessidades bem-definidas.
O homem quer o caos.
sábado, 19 de outubro de 2013
Nefandus
Com os olhos arregalados olhei ao meu redor
Percebi que a realidade era uma ilusão
E sob essa ilusão
Rondava uma fera terrível
Uma inteligência não humana
Que não veio deste mundo
Mas do mundo real
O mundo das aparências era como a superfície do mar e ali havia um tubarão
Senti enquanto ela se aproximava e me engolia
Seus dentes afiados retalharam minha alma
Descobri o que era a dor
e o medo.
Subitamente
Perdi toda noção de escala
O abismo se abriu pra mim
percebi-me uma pequena molécula de carbono e hidrogênio
poeira cósmica
contemplando o início
ou o fim.
A onda de energia cósmica explodindo em todas as direções
Era tão magnífica e absoluta
Que chamá-la de gigante seria resumi-la ao ridículo.
Ela varreu o abismo
E criou o cosmos
Relicário imenso de joias flutuando no vácuo.
Minha consciência percorreu nebulosas e estrelas
Vastidões infinitas
E percebi
Não há sentido por trás disso tudo
E tudo
Se deteriora à partir do momento da criação.
Surgimos do caos e seremos reduzidos ao caos
o caos dançará sobre nossos cadáveres
a morte ri de nossas ambições.
Somente o fim é uma constante
E nada tem uma essência
Que não seja a entropia e o caos.
Percebi que aquele que me predou
Libertou-me da ilusão de ordem e bondade
A desolação foi substituída por um profundo desejo
De abraçar o fim do universo
Como única fonte de paz.
E sob essa ilusão
Rondava uma fera terrível
Uma inteligência não humana
Que não veio deste mundo
Mas do mundo real
O mundo das aparências era como a superfície do mar e ali havia um tubarão
Senti enquanto ela se aproximava e me engolia
Seus dentes afiados retalharam minha alma
Descobri o que era a dor
e o medo.
Subitamente
Perdi toda noção de escala
O abismo se abriu pra mim
percebi-me uma pequena molécula de carbono e hidrogênio
poeira cósmica
contemplando o início
ou o fim.
A onda de energia cósmica explodindo em todas as direções
Era tão magnífica e absoluta
Que chamá-la de gigante seria resumi-la ao ridículo.
Ela varreu o abismo
E criou o cosmos
Relicário imenso de joias flutuando no vácuo.
Minha consciência percorreu nebulosas e estrelas
Vastidões infinitas
E percebi
Não há sentido por trás disso tudo
E tudo
Se deteriora à partir do momento da criação.
Surgimos do caos e seremos reduzidos ao caos
o caos dançará sobre nossos cadáveres
a morte ri de nossas ambições.
Somente o fim é uma constante
E nada tem uma essência
Que não seja a entropia e o caos.
Percebi que aquele que me predou
Libertou-me da ilusão de ordem e bondade
A desolação foi substituída por um profundo desejo
De abraçar o fim do universo
Como única fonte de paz.
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