quarta-feira, 31 de julho de 2013

O que é você?


Os raios da manhã cortavam os vapores tépidos do chuveiro.

Sentado no mármore eu te observava, tal qual um sátiro olha uma ninfa em uma nascente.

Porém não sei, se eu era, ao invés disso, um descobridor de matas virgens me deparando com uma índia – de tez morena, nudez impudica e inocente.

Poderia ser também, a realização de uma fantasia lasciva e proibida, a qual não ousarei relatar. Ou quem sabe, não era este o encontro romântico tão esperado e não sejas tu, a amante eterna com quem dividirei meu leito.

A lembrança daquela manhã também se confunde com a da outra noite, quando fizemos amor neste mesmo palácio, onde as águas brincavam em nossos corpos e a luz da chama crepitava.

De fato, o único pensamento certo é teu olhar: firme, sensual, estático, poderoso e ainda mais, de um mistério profundo e insondável.

Afinal,
o que é você?
minha deliciosa
esfinge,
meia mulher,
meia leoa

Não sei se você existiu ou se te sonhei. 



domingo, 30 de junho de 2013

Poema antigo para guardar

É Briga é paz
olhando nos olhos
palavra não mais

É um sentimento estranho
o que você tem
tristeza sem tamanho
É o que eu sinto também

Vamos fazer as pazes assim não dá mais
Chega de um ou de outro correndo atrás
Chega mais perto
vem me beijar
sabe que é para sempre
que eu vou te amar

Briguinha tempero
sopapo sacana
desaforo estorvo
vamos pra cama

Ventilador



Nesse momento pavoroso, em que, olhando para um teto desconhecido, revisito meus últimos dias, recordo-me dos anjos depenados cujos corpos desnudos conheci. Visitei vales e montanhas, curvas, matas e cavernas. Mas não pude encontrar ali, nenhum coração. O único sentimento era a tristeza. E os únicos sons - ecos estarrecedores de um suspiro, um chamado desesperado e de um berro no escuro.  

O gosto amargo do tabaco não me incomoda tanto quanto o sabor desses lábios enegrecidos pela vulgaridade. Tudo é superficial. Até mesmo o sorriso que passará pelos seus lábios enquanto me lê. Acha que me entende? Que compartilha comigo essa dor, ou pior, que tua pretensa experiência pode me oferecer um conselho? Guarda pra ti tuas palavras, não sabe o que penso.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sob uma máscara de bela porcelana

O corpo que caminha trôpego não vacila no passo, nem mesmo perde o gingado.
A cabeça que gira não sai do lugar, não roda, não rodopia, nem vira cambalhota.
A lágrima que se acumula sob os olhos não brota, não rola, não cai nem chove.
O riso que está morto não aparece amarelo, não deixa de brilhar, nem de convencer.

agora

Quando a solidão me toca; meu corpo se contorce e enverga de dor
Quando o insolúvel me atinge; minha cabeça pende de um extremo ao outro, entre desesperos
Quando a noite invade; os dedos buscam o peito, tentando abrí-lo e expor o coração que já sangra.
Quando o silêncio se impõe; as lágrimas não são ouvidas mas se fazem sentir

A chuva lá fora não se compara a minha tormenta

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Linhas e limites

Engraçado isso.

Eu não achei que ir até ali era uma opção,

não sabia que podíamos chamar a demolição.

Muitas vezes eu brinquei de índio, atirando flechas em seu coração.

Me pendurei no parapeito, pra rir enquanto te assustava.

Mas nunca quis me machucar nem te ferir.

Não pensei que poderíamos ir até ali.

Demolição



Para se desconstruir um belo edifício, é preciso cuidado
Primeiro temos que passear por ele e encará-lo bem
Depois decidir:
O que queremos,

Apagá-lo da existência para que dê lugar a algo novo?
Reformulá-lo para que possa renascer em si mesmo?
Ou desmontá-lo com cuidado, permitindo sua reparação e reconstrução?

Algumas vezes só queremos destruir, inclusive a nós mesmos.
Outras, pensamos em retirar uma parede e tememos que tudo desabe.
Há ainda os sábios que preferem investir seu tempo simplesmente restaurando o lugar.

As paredes são frias, estáticas, imóveis.
A luz que atravessa os vitrais não vê a cor que projeta na poeira do lugar.
O eco vai, sem saber que volta.

A sabedoria que não está nas coisas, pode estar em você

segunda-feira, 18 de março de 2013

Minha Maldição!

Não haverá céu para lhe salvar
Não haverá inferno para te condenar

Nada satisfará teus desejos e não encontrarás paz
Tuas conquistas não parecerão nada em vista do que não lhe pertence

Nenhum braço lhe trará o eterno aconchego
Nenhuma casa será teu lar eterno

E assim padecendo, morrerá aos poucos, do mal que causar a si mesmo.