segunda-feira, 19 de julho de 2010


Quando consideramos como é vasto e próximo de nós o problema da existência, essa existência ambígua, perturbada, fugidia, semelhante a um sonho - um problema tão grande e tão próximo, que encobre e sobrepõe todos os outros problemas e finalidades logo que tomamos consciência dele - e quando consideramos que todos os homens, com excessão de alguns poucos, não são claramente conscientes desse problema, nem parecem perceber sua existência, mas se preocupam antes com qualquer outro assunto e vivem apenas no dia de hoje sem levar em conta a duração não muito longa de seu futuro pessoal, seja renegando expressamente aquele problema, ou contentando-se em relação a ele com algum sistema da metafísica popular; digo, quando consideramos tudo isso, podemos chegar à conclusão de que o homem só pode ser chamado de ser pensante num sentido muito amplo. Nesse caso, não nos surpreenderá nenhum gesto de irreflexão ou tolice, pois saberemos que o horizonte intelectual do homem normal pode até ultrapassar o do animal - cuja existência sem nenhuma consiência do futuro e do passado, é inteiramente presente -, mas não está tão distante deste quanto se supõe.

- Schopenhauer. A arte de escrever. Porto Alegre:L&PM, 2010. p. 53-54

sábado, 12 de junho de 2010

“O homem vê-se frequentemente indefeso diante de uma realidade externa que é tremendamente complexa. Arma, então, esquemas e racionalizações para interpretar essa realidade. A história humana é a história dessas tentativas racionalizantes que tantas vezes fracassam. Pensa que tais tentativas têm algo de ilusório na sua origem, que a sua validade é só parcial?”

Eu estava aqui a querer fazer uma crítica krishnamurtiana, ou zen, das ideologias políticas. Mas a resposta foi curta: “Não”, disse Borges. “O que acontece é que essas racionalizações são parte da realidade que querem explicar. Nós vivemos dos sonhos dos mortos, dos esquemas dos mortos. O mundo pode parecer um caos, mas nós tratamos de que seja um cosmos, uma ordem.”

-Carlos Cardoso Aveline

segunda-feira, 24 de maio de 2010


“A única diferença entre um louco e eu, é que eu não sou louco.”
Salvador Dali

sexta-feira, 7 de maio de 2010

~ Gibran Kahlil Gibran ~

A borboleta continuará a pairar sobre o campo e as gotas de orvalho ainda brilharão sobre a relva quando as pirâmides do Egito estiverem destruídas e não mais existirem os arranha-céus de Nova York.


sexta-feira, 26 de março de 2010

“E dentre os gregos, tu que és um deles, quais te parecem levar a vida mais agradável, os que mandam ou os que obedecem?

- Eu, diz Aristipo, não me incluo entre os escravos; mas parece-me haver uma via intermediária onde tento caminhar. Esta via não passa nem pelo poder, nem pela escravidão, mas pela liberdade, que é o grande caminho da felicidade.

- Se este caminho não passa nem pelo poder nem pela escravidão, replica Sócrates, não passa tampouco pela sociedade dos homens, o que dizes poderia ter algum sentido. Mas se vivendo entre os homens, tu não queres nem mandar nem obedecer, nem servir de bom grado aos que mandam, tu não ignoras, penso eu, como os mais fortes se decidem a fazer chorar os mais fracos e tratá-los como escravos. Ou não vês como eles roubam as colheitas que outros semearam... e como cercam de todos os modos os que se recusam a servilos, até levá-los a preferir a escravidão à luta com os mais fortes que eles...

- Sim, disse ele; eu, porém, para evitar estes males, não me encerro numa cidade, em qualquer lugar sou estrangeiro.

- Não há dúvida, exclamou Sócrates, que é este um hábil artifício.”


Xenefonte, As Memoráveis
(II, I) apud Castel, 1978
a.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tempo. Inexorávelmente, com o tempo, tudo se consumirá e deixará de existir, como o fez antes de nós.

Carne. Inexorávelmente, estaremos presos à carne, pois em verdade isso é tudo que somos. Fora da carne só existe a imaginação, seja arte ou religião.

Tempo, carne, imaginação. Fora da cabeça, os olhos se debruçam, querendo saber o que se passa. Não lhe ocorre, que existem cores que não vê, ou mesmo dimensões que lhe escapam. Dentro da cabeça, impulsos elétricos se unem, expandem, separam, brilham, achando que pensam, achando que são uma alma. Assim, o desespero, seja arte ou religião, lhes ocorre.

Essa é exatamente a inteligência da banalidade.

Superá-la enfrentando moinhos de vento, não é menos nobre que desenhar grandes prédios, pintar sorrisos enigmáticos, voar, escalar, nadar, correr, saltar. Quando encontramos outro louco, mesmo que enrustido como eu e você. Sorrimos com um brilho sutil no olhar. Sorrimos em reconhecimento.

De todas as maneiras de imaginar, a literatura sempre acaba sendo o destino da minha viagem através das possibilidades. Não pelo talento, mas pela sinceridade.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Vem!

Aquele cheiro som imagem do teu corpo incendeia e um rio carregado de saudade vem correr na minha veia...